Algumas datas atravessam o tempo carregadas de simbolismo. No calendário da cultura pop e do imaginário criminal norte-americano, 24 de janeiro é uma delas. O dia marca, ao mesmo tempo, o nascimento da atriz Sharon Tate, em 1943, e a execução do serial killer Ted Bundy, em 1989.
Uma coincidência cronológica que, embora não estabeleça qualquer relação direta entre as duas histórias, chama atenção pelo contraste brutal entre inocência e violência... e pela forma como ambas continuam a intrigar o público décadas depois.
Sharon Tate se tornou um dos rostos mais emblemáticos de Hollywood nos anos 1960, símbolo de juventude, beleza e promessa artística. Ted Bundy, por sua vez, entrou para a história como um dos assassinos em série mais cruéis e estudados dos Estados Unidos.
Nascida em 24 de janeiro de 1943, Sharon Tate construiu uma carreira promissora no cinema, com destaque para filmes como "A Dança dos Vampiros" (1967), dirigido por Roman Polanski, com quem se casou no mesmo ano. À época de sua morte, Tate tinha 26 anos, estava grávida de oito meses e meio e era considerada uma das atrizes mais belas e promissoras de sua geração.
Na noite de 8 de agosto de 1969, Sharon Tate foi assassinada brutalmente em sua casa, em Los Angeles, por integrantes da seita liderada por Charles Manson. Ela foi esfaqueada diversas vezes e morta junto a outras quatro pessoas que estavam na residência. O crime não só interrompeu uma vida e uma carreira, mas se tornou um marco definitivo no fim simbólico da chamada “era do amor” nos Estados Unidos.
Segundo reportagem do EL PAÍS Brasil, o assassinato de Tate passou a ser visto como um divisor de águas na cultura americana, inaugurando um período de medo, paranoia e fascínio duradouro por crimes reais que seguem sendo revisitados por livros, filmes e séries até hoje.
Também em 24 de janeiro, mas 46 anos depois do nascimento de Tate, os Estados Unidos encerravam oficialmente a trajetória de um de seus criminosos mais notórios. Ted Bundy foi executado na cadeira elétrica em 24 de janeiro de 1989, no estado da Flórida, após ser condenado por uma série de assassinatos cometidos nos anos 1970.
Bundy confessou o assassinato de ao menos 30 mulheres, embora investigadores acreditem que o número real de vítimas possa ser maior. Educado, articulado e aparentemente “normal”, ele se tornou objeto de estudo justamente por contrariar o estereótipo clássico do criminoso violento.
A execução de Bundy foi acompanhada por grande atenção da imprensa e por manifestações públicas... um reflexo de como sua figura já havia ultrapassado o campo criminal para ocupar um espaço inquietante no imaginário popular.
O fato de Sharon Tate ter nascido no mesmo dia em que Ted Bundy foi executado, ainda que em anos diferentes, não carrega qualquer vínculo causal. Trata-se de uma coincidência puramente cronológica. Ainda assim, o contraste entre as duas histórias é impossível de ignorar.
Ambos permanecem presentes na cultura contemporânea, revisitados por produções da Netflix, filmes de Hollywood, livros investigativos e reportagens especiais. Mas enquanto Sharon Tate é lembrada com reverência e luto, Ted Bundy segue sendo analisado com cautela, sempre sob o risco de que o fascínio pelo criminoso ofusque o sofrimento das vítimas.